Falta de aviso não foi. Nem nunca será!

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Não deixemos que o diálogo sobre a crise climática causada pelos seres humanos se restrinja aos empaletozados de Glasgow (Escócia).

Eles já demonstraram que fazem pouco ou quase nada para salvar as futuras gerações da extinção – não somente humanas.

Os chamados líderes mundiais assumiram, há quase três séculos, compromissos com o modo de produção capitalista, cuja existência depende do lucro sobre a exploração da natureza, da qual não se deve excluir o ser humano.

Não esqueçamos, também, que o capitalismo é filhote do colonialismo, que assentou as bases da espoliação do chamando mundo novo.

Por isso, essa é uma conversa que deve ocorrer, correr e se multiplicar entre as pessoas que mais sofrem – e que mais sofrerão – com os desastres ambientais vindos da ganância de alguns poucos humanos ao redor do planeta.

E deve ser um diálogo sério e objetivo: afinal, não é o planeta terra que vai acabar daqui a pouco, caso a economia de mercado continue a gerar pobreza, a entulhar os oceanos de lixo, a derrubar, insanamente, as florestas, a contaminar as águas, o solo e a atmosfera com resíduos químicos e gases tóxicos.

Os que se acabarão – logo, logo! – serão os seres vivos, entre os quais os humanos.

O planeta terra, certamente, continuará a sua jornada no universo e, como já lhe aconteceu antes, várias vezes, irá se refazer com outras espécies de vida. Talvez.

Os restos dos dinossauros estão aí paras nos contar parte dessa história.

Todas as cosmologias ancestrais nos ensinam que devemos tratar a natureza como a nós mesmos. Afinal, estamos na natureza e a natureza está em nós.

Com os animais, com a terra, com os rios, com as florestas e com as estrelas compartilhamos um espaço comum.

Caso continuássemos nesse entendimento dos antigos, não transformaríamos em esgoto parte de nós mesmos.

Somos testemunhas de que os nossos sábios estavam certos. Olhemos para as cidades entulhadas de favelas, cortadas por igarapés mortos, sem flora, sem fauna, sem água potável; sem as florestas, sem céu aberto para se contemplar as estrelas.

Olhemos para os lagos e rios sem a fartura de peixes, exatamente como nossos avós previam, e, por isso, muitos ribeirinho e indígenas morreram – e continuam morrendo – porque ofereceram resistência à pesca predatória.

Os seres humanos hoje, para adiar a mega catástrofe que ele mesmo prepara, precisa do conhecimento dos antigos sábios, aliado à boa ciência e suas técnicas obtidas com a observação atenta dos movimentos da natureza. Sem epistemofobia.

Tardiamente – mas antes tarde do que nunca – parece que alguns dos empaletozados começam a dar a devida atenção aos apelos dos povos ancestrais, os quais provam, com seus saberes e suas vidas, que a ameaça de extinção da vida na terra está a pouquíssimos graus centígrados. E a ciência compromissada com a vida confirma.

É isso que aponta a conferência mundial do clima, a COP-26, que, pela primeira vez, ouve o clamor dos indígenas e outros povos que já sofrem com a escassez de alimentos e com desastres naturais causados pelo aquecimento global.

Os chamados fenômenos extremos – grandes secas e enchentes, furacões e incêndios devastadores etc. – cada vez mais em intervalos menores entre si, não são mais fatos da dinâmica da sustentabilidade da natureza, mas o resultado da insustentabilidade do modo de produção que corrói o planeta pelo centro e pelas beiradas.

Falta de aviso não é, nunca foi nem nunca será.

O problema está na ganância, mal que afeta a percepção de mundo dos empaletozados que frequentam os fóruns mundiais da crise climática para enrolar aqueles que mais sofrem com o inferno terrestre.

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