Indígenas esperam vestibular para curso da UEA em escola do rio Içana

Por Dassuem Nogueira

Compartilhe:

Os povos Baníwa e Koripaco, da Terra Indígena do Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM), aguardam, para o segundo semestre de 2022, a realização do vestibular específico para o preenchimento das vagas do curso de Agroecologia da Escola Indígena Baniwa e Koripaco Pamáali (EIBK), localizada no médio Içana, recém-anunciado pela Universidade do Estado do Amazonas.

A criação do curso foi comunicada no último dia 16 pelo reitor Cleinaldo Costa a lideranças indígenas do alto rio Negro e tem como finalidade fortalecer o consagrado Sistema Agrícola Tradicional da região.

Seis mil índios habitam o lado brasileiro sob influência da escola Pamáali, que existe desde 2000.

“Depois de 21 anos vamos ter esse curso por meio da UEA”, disse André Fernando, liderança Baníwa, que comemora o feito.

André enfatiza que esse curso é resultado do I Encontro de Jovens Baniwa e Koripaco, realizado em julho de 2021, no qual os jovens encaminharam essa demanda. “Será a primeira vez que um curso superior destinado a povos indígenas será implantado em uma escola dentro do território”, disse ele.

A UEA tem iniciativas importantes no âmbito da formação de professores para a educação escolar indígena no Amazonas. Ela segue o exemplo de outras universidades do país, especialmente no oferecimento de cursos de licenciaturas interculturais e outros cursos voltados para indígenas.

Esse é um dos compromissos fundacionais da UEA firmado em legislação na ocasião de sua criação. Assim, a universidade responde a essa agenda já existente das organizações indígenas do Rio Negro e ao protagonismo dos indígenas na criação desses cursos.

No caso dos povos do rio Içana, existe no âmbito de suas organizações ampla discussão sobre o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, que tem vários produtos, como a pimenta, a cestaria, os artesanatos etc.

Segundo Luciano Cardenes, antropólogo doutor em educação superior indígena, “o curso de agroecologia é muito válido, mas deve contemplar essa outra agenda, outro projeto e outra percepção de um ponto de vista intercultural.

A Agroecologia, como uma parte do conhecimento científico, trata práticas que são ancestrais, milenares e que são saberes indígenas consolidados, sobretudo, na região do rio Negro. Então é preciso que o curso de Agroecologia esteja aberto a receber e perceber essas concepções e não apenas levar as suas”.

A escola Pamáali tem justamente como diretriz educacional a pesquisa intercultural, sendo reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) como instituição de referência em inovação e criatividade na educação básica no Brasil, primando pelo diálogo intercultural, especialmente o que toca a história da origem da humanidade, medicina indígena e manejo de recursos.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.