“Percebi que precisava perdoar”, diz professora na Colômbia após Acordos de Paz

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O chefe da ONU inicia nesta semana uma viagem oficial à Colômbia para marcar o quinto aniversário dos Acordos de Paz de Havana para o país sul-americano.
António Guterres se reúne com representantes do governo e da sociedade civil e tem uma visita marcada ao vilarejo de Llano Grande, considerado um exemplo de coexistência, pacificação e reconciliação.

Harmonia e medo

A comunidade tem 150 habitantes e está localizada no Departamento de Antióquia. O jornalista da ONU News, Antonio Lafuente, que está no local, conversou com a professora, Mariela López, que fez um trabalho de sociabilização com alunos e moradores para demonstrar que muitos mesmo identificados como agressores eram na realidade vítimas do conflito, que durou mais de cinco décadas.

Bandeira branca

A professora diz que foi preciso erguer uma bandeira branca e ensinar às crianças, todas vítimas do conflito, que era importante recomeçar e aprender a conviver de novo. Ela mesma chegou à conclusão que precisava perdoar para sobreviver e resgatar toda a comunidade.

Em Llano Grande vivem ex-integrantes do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo, Farc-EP, que firmou os acordos com o governo. Também vivem ali, camponeses, militares e policiais.

Uma das moradoras do local, Luzmila Segura, de 67 anos, lembrou que sentia medo da violência, antes da paz, ao ver as pessoas armadas. Hoje, ele vive numa casa doada e diz que existe harmonia como um bom relacionamento geral. A história de Jairo Puerta Peña é semelhante à de muitos ex-guerrilheiros na Colômbia.

Rajadas

Recrutado aos 14 anos, ele tem quase 60 hoje. Somente após os Acordos de Paz, pôde mudar de vida. Atualmente, estuda para se tornar pedreiro e afirma que a vida é mais tranquila agora que ele pode estar com a família, trabalhar e dormir sem escutar tiros ou rajadas de helicópteros transportando tropas.

A Missão de Verificação da ONU na Colômbia e as agências da ONU se juntaram no país em apoio aos cidadãos e governos locais após os Acordos de Paz. Treinamento profissional, suporte técnico a pequenos produtores no setor agrícola e outras ações têm facilitado o retorno de muitos à normalidade após cinco anos de conflitos e violência.

Passos

A ONU estima que 80% dos moradores do Departamento de Antióquia foram vítimas do conflito armado. Muitos grupos se beneficiaram da economia da região com minério ilegal, cultivo de folhas de coca e outras atividades. Para os entrevistados, a apoio da ONU é fundamental para acompanhar os passos da verificação e da reconstrução após o conflito.

No total, as Nações Unidas estão atuando em pelo menos 15 projetos desde a fabricação de sabão até cultivo de peixes, educação, confecção, alimentação e agricultura.

Lucila, agricultora e vítima do conflito, do lado de fora de sua casa, reconstruída após o processo de paz na Colômbia. Foto: Unmvc/Esteban Vanegas

Término

Mesmo assim, muitos moradores dizem que em outras partes do Departamento, ainda há um longo caminho a percorrer para mais integração e, também, término de obras de infraestrutura como ruas e rodovias.

Desde 2017, Antióquia já registrou 30 homicídios e quatro desaparecimentos, a maioria de homens. Em outras partes da Colômbia, como o Departamento de Chocó, a situação é considerada alarmante pelo Escritório de Direitos Humanos por causa de “graves violações” que seguem ocorrendo como recrutamento de menores, suicídio de crianças vítimas de violência sexual e o deslocamento de mais de 5 mil pessoas por causa da violência. Estima-se que mais de 30 mil estejam confinadas ainda com medo do futuro.


Fonte: ONU News

Antonio Lafuente, enviado especial à Colômbia.

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