A pobre educação brasileira

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Vivemos um momento doloroso para a educação brasileira. Não foi o primeiro. E não adianta “dourar a pílula” para livrar uns e outros, porque todos têm culpa no cartório, embora seja difícil relacionar os nomes. Uns por falta de provas, outros porque a falta de caráter foi tão grande que se tornaram inomináveis; outros, ainda, por pura incompetência; e uns tantos, por competência demais para causar estragos insanáveis, como é o caso do atual mandatário do MEC.

Ele é muito competente sim e não está sozinho! Na largada, avisou que a Universidade não é para todos, deve ser para poucos! Que a educação inclusiva é prejudicial ao aprendizado dos ditos “normais”! Sua missão é mudar a educação pública do país e está conseguindo: vejam o silêncio do MEC em relação aos precatórios do Fundeb; a renúncia coletiva dos servidores do Inep face às tentativas de intervenção no cuidadoso trabalho de elaboração das provas do Enem; a renúncia coletiva de 80 Coordenadores e Avaliadores dos Cursos de Pós-Graduação, por discordância com a gestão da Capes; o pouco diálogo com os Reitores das Universidades Federais para a retomada do ensino presencial; a usurpação de parte do orçamento para a educação, ciência e tecnologia por outras áreas devido a inércia deliberada do MEC e do Ministério da Ciência e Tecnologia, resultando no atraso do pagamento de bolsistas de pós-graduação e a paralisação das pesquisas em andamento por falta dos repasses devidos.

Segundo eles, há coisas mais importantes a fazer: avançar no Congresso as chamadas “pautas conservadoras”, que farão a educação brasileira retornar aos rumos da reforma de 1942, promovida por Gustavo Capanema (1900-1985), Ministro da Educação na Ditadura Vargas (1934-1945), que varreu da pedagogia brasileira todas as boas ideias trazidas por Anísio Teixeira (1900-1971) e seu grupo no “Manifesto Pioneiro da Educação Nova”.

Esses educadores tinham como princípio, o “ensino público obrigatório, gratuito e laico” e, como orientação pedagógica, a “educação integral”, que levava em consideração as dimensões humanas: cognitiva, estética, ética, física, social e afetiva.

Consideradas como ideias Comunistas por Capanema, um fascista notório, são substituídas por uma orientação que destaca “os valores morais, patrióticos e cristãos da nossa raça” e, no plano pedagógico, valoriza o conteudismo, a repetição como processo de aprendizagem e a produção de material didático-pedagógico alinhado com o pensamento único do Estado Novo. Como se vê, a similitude não é mera coincidência.

O que leva ministros, deputados, senadores da República, pastores, militares, intelectuais e empresários chamados eufemisticamente de “homens de bem” a desqualificar a memória de educadores como Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire? Não é uma “gentalha”, como diria o Kiko, filho de Dona Florinda e aluno do Professor Girafales.

Aparenta ser uma “equipe” bem disciplinada, com a missão de implementar um projeto de educação de cunho fascistóide, que dê suporte ao projeto em andamento de um “estado autoritário, nacionalista e identitário”, turbinado pelas “novas” ideias conservadoras do movimento mundial e, aqui, agregado ao projeto próprio de algumas lideranças religiosas fundamentalistas que sonham, em paralelo, com um estado teocrático.

A educação corre riscos! A campanha eleitoral está nas ruas e nas redes sociais; os Partidos Políticos sonegam posicionamentos explícitos, até porque alguns namoram os mesmos protagonistas. O jogo diversionista cria uma confusão todos os dias para desviar nossa atenção desses fatos, enquanto a maquinaria opera nas sombras, nos vácuos de poder, nos espaços de inocência, nas entranhas do sistema, mas com eficácia e profunda sordidez.

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