Corpo de Thiago de Mello será sepultado nesta manhã, no São João Batista

O corpo do poeta Thiago de Mello será sepultado nesta manhã (15/1), às 10h, no cemitério São João Batista, na avenida Álvaro Maia, bairro Nossa Senhora das Graças. O cortejo fúnebre sairá do Centro Cultural Palácio Rio Negro, após um ato religioso, e percorrerá ruas do centro da cidade em viatura do Corpo de Bombeiro, para que a população possa dar adeus ao seu maior poeta. As despedidas no centro cultural estão sob controle em razão do recrudescimento dos casos de Covid-19 em Manaus.

Compartilhe:

O poeta amazonense Thiago de Mello morreu, na madrugada de hoje (14/1), em sua residência, na avenida Getúlio Vargas, no centro de Manaus (AM).

Thiago completaria 96 anos no dia 30 março e já estava com a saúde bastante debilitada.

O velório será realizado no Centro Cultural Palácio Rio Negro (avenida Sete de Setembro, 1546 – Centro), com o cumprimento de todos os protocolos de segurança sanitária, em horário ainda a ser definido.

O governo do Amazonas decretou três dias de luto pela morte do mais expressivo e reconhecido, mundialmente, poeta amazonense.

“É uma perda irreparável para nossa cultura. Que Deus conforte familiares e amigos do nosso grande poeta”, disse o governador Wilson Lima, em comunicado aos amazonenses.

O prefeito de Manaus, David, Almeida, também decretou luto oficial de três dias no município.

“Filho dessa terra, Thiago de Mello se consagrou um ícone da literatura amazonense. Seu reconhecimento atravessou as fronteiras do Estado e sua poesia alcançou o Brasil e vários países, com suas obras traduzidas em 30 idiomas. Que Deus seja o alento da família, de amigos e de todos os amazonenses neste momento. Que sigam firmes na esperança da ressurreição e na breve volta de Jesus Cristo”, declarou o prefeito.

O poeta era membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), ocupante da cadeira 29 por mais de 60 anos. O presidente da entidade, Aristóteles Comte de Alencar Filho, em nota afirmou:

“AAL manifesta o pesar de todos os acadêmicos e acadêmicas pelo falecimento do poeta Thiago de Mello […] representante internacional da literatura do Amazonas e ícone cultural”.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), da qual Thiago de Mello recebeu o título de Doutor Honoris Causa, também lamentou o falecimento e destacou as suas atividades intelectuais. 

O presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), poeta Tenório Telles, acentuou que o mundo perdeu um dos seus maiores poetas, e “eu também perdi um grande amigo e irmão”.

O editor da Valer, jornalista Isaac Maciel, disse que Thiago de Mello continuará sendo a voz do Amazonas para o mundo, porque o conjunto da sua obra clama pela defesa da Amazônia”.

A Valer homenageou o poeta com a publicação de uma card alusivo ao seu mais importante legado: os livros.

Thiago de Mello nasceu em Barreirinha (AM), cidade localizada margem direita do Paraná do Ramos, no Médio Amazonas.

Migrou para Manaus, para fazer o correspondente hoje ao Ensino Médio, e depois foi morar no Rio de Janeiro, para cursar Medicina, mas desistiu do diploma de médico para se dedicar de corpo e alma à poesia.

Thiago de Mello deixa um inestimável legado cultural para a humanidade. São dezenas de livros de prosa e poemas, entre os quais o poema Estatutos do homem, traduzido para mais de trinta idiomas, e Faz escuro mas eu canto, que conquistou o coração dos brasileiros também como música, na voz de Nara Leão.

Ambos são odes à liberdade, à igualdade social, à justiça e à paz entre os seres humanos.

Estatutos do Homem, por exemplo, foi escrito quando o poeta estava adido cultural do Brasil no Chile, no Governo de João Goulart, sob os olhares do poeta Pablo Neruda, Prêmio Nobel de Literatura, e do então senador Salvador Allende, que se tornou presidente eleito do Chile, e em seguida foi morto pelo sanguinário general Pinochet.

Com a instalação da ditadura Pinochet, a mais longa da América Latina, Thiago de Mello foi preso de expulso do Chile. Tornou-se então refugiado das Nações Unidas e passou a viver em vários países até 1979, quando retornou ao Brasil, procedente de Portugal.

Ainda na década de 1980, ele voltou a morar em Barreirinha, onde construiu três residências, duas na área urbana, e uma no distrito de Barreira do Andirá, todas com projeto arquitetônico de Lúcio Costa, seu amigo, também autor da planta de Brasília (DF).

Homenagens 

Personalidades usaram as redes sociais para homenagear Thiago de Mello, que morreu nesta sexta-feira (14/01).

O nome do poeta esteve entre os assuntos mais comentados do Twitter nesta manhã e, também, recebeu menções de instituições, como Memorial da América Latina, e foi destaque nos grandes veículos de comunicação, entre eles, Folha de São Paulo, O Globo, Estadão, Uol e G1.

“O Memorial da América Latina lamenta profundamente a morte do poeta e parceiro de longa data desta Fundação, Thiago de Mello, aos 95 anos de idade”, diz o trecho da publicação no Instagram.

“O Memorial presta solidariedade aos amigos, família e a todos os fãs deste grande poeta que nos deixou hoje”.

O apresentador Luciano Huck destacou o poema “Faz Escuro Mas Eu Canto” no Twitter.

“Faz escuro mas eu canto’, verso de Madrugada Camponesa, de 1965, nunca foi tão atual. O autor Thiago de Mello nos deixou hoje. Ícone amazônico, o amor pelo poeta era do tamanho do Brasil. Meu carinho aos amigos e familiares”, escreveu.

Autor de 48 livros publicados e 750 mil exemplares vendidos, Fabricio Carpinejar publicou trechos do “Os Estatutos do Homem” no Instagram.

“Não se morre mais depois de ler um poema de Thiago de Mello”, finalizou a homenagem.

A atriz Letícia Spiller também usou o Instagram e o mesmo poema para falar de Thiago de Mello.

“Silêncio, o poeta partiu!”, iniciou a publicação.

 A jornalista Hildegard Angel enfatizou que a pior dor, a pior notícia é a morte de um poeta.

“Aquele em contato direto com as divindades, as forças da natureza, o âmago dos sentimentos. Aquele que nos inspira alento, esperanças, entusiasmo e confiança no que há de belo no Homem. Morreu nosso grande poeta Thiago de Mello”, lamentou.

Literatura

O escritor amazonense Elson Farias, autor da série “As Aventuras de Zezé”, usou o Instagram para falar do poeta.

“Hoje os céus recebem Thiago de Mello, amigo e grande poeta. Seu olhar sobre a Amazônia era único. Ele morreu, no entanto, sua poesia irá renascer na literatura brasileira. Minhas sinceras condolências à família e amigos”.

 A jornalista Mazé Mourão, membro da Academia Amazonense de Letras, publicou no Instagram uma foto do amazonense com o cantor Gilberto Gil e a legenda “Manaus chora a sua partida eterna, poeta Thiago de Mello, mas o Plano Superior ganha a sua escrita, a sua inteligência, o seu saber!”.

“Thiago de Mello, cidadão do mundo, foi uma pessoa que jamais esqueceu suas origens. Barreirinha era seu mundo, era a sua vida, o mundo que ele cantava e escrevia sobre isso sempre”, disse.

O escritor Daniel Munduruku, autor de 56 livros, vencedor dos prêmios Jabuti e Unesco para Tolerância, comentou a morte de Thiago de Mello no Twitter.

“O lorde Thiago de Mello nos deixou…Deixou? Não. Deixou saudades. Deixou poesia. Deixou sonhos. Deixou esperanças. Deixou a lembrança de que “Faz escuro, mas eu Canto”. Sua ausência faz escuro … Sua arte, nos traz Luz. Bom descanso, Guerreiro”, destacou.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.