Sobre Thiago de Mello

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É o sentimento de vida que a morte de Thiago de Mello desperta. E o faz em muitas direções.

O baú dos escritos do poeta e escritor amazonense está sendo remexido e brotam dele recortes de poesias, de frases, fotografias… para ganhar o mundo das redes sociais.

Interessante como os grupos ligados a movimentos populares fizeram desde cedo (desse dia 14 de janeiro) a circulação de alguns escritos do poeta.

Mulheres, homens, jovens interagindo em suas redes sociais para falar algo sobre Thiago de Mello numa demonstração, possivelmente não mensurada, do quanto essa poesia está enraizada em nós, amazonenses, amazônidas, entre os trabalhadores e as trabalhadoras, os movimentos de resiliência e de resistência.

O poeta cuja obra é revisitada pela academia, embora pouco estudada por aqui, discutido em circuitos dos intelectuais, foi capturado pela gente da margem e ressignificado nas lutas cotidianas, no tecimento das esperanças e das utopias. São as ex-operárias do Polo Industrial de Manaus, as mulheres das pastorais sociais, sindicalistas, revivendo o Faz Escuro Mas Eu Canto, os Estatutos do Homem.

Thiago, na viagem de volta, deve sentir-se bem. Os seus escritos que rompem fronteiras entre países e cidades, rompe outros espaços e ganha lugar de agradecimento nos corações e nos gestos da população.

Torna-se, no mundo pandêmico, fonte de alimentação dessa força poética diante dos dissabores, da autocracia e da banalização da vida. Saltam para as bocas populares as palavras, a frase, a estrofe dos escritos de Mello, replicadas.

Que o ensaio demonstrado neste dia do adeus se renove na presença eterna da obra de Thiago de Mello porque necessitamos dela para nos situar e ajudar a fazer a caminhada mesmo quando os decretos sejam outros e o escuro dificultar a visão. Na poesia, é possível, mesmo escuro, cantar, dançar, transformar.

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