Edgar Borges e suas Incertezas no meio do mundo

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A professor de artes e poeta Elimacuxi fez a seguinte apresentação deste Incertezas no meio do mundo (Maricota Cartonera), do poeta Edgar Borges:

“Poemas sem rodeio que jogam na cara verdades incômodas e apontam a passagem do tempo e dos sentimentos. Poemas sobre desejos, amor e fomes a saciar, sobre estranhos em nossas casas e cidades. Poemas sobre as incertezas do meio do mundo, mas que, também, estão presentes em outros lugares. Poemas intranquilos, poemas sobre a vida em tempos estranhos”.

Edgar Borges é venezuelano, filho de migrantes da Amazônia. Descendente da etnia Wapichana, escreve crônicas e poemas e já publicou os livros de contos Roraima Blues e Sem grandes delongas.

Borges é jornalista, sociólogo, mestre em Letras e ativista cultural em Boa Vista (RR), onde reside.

Incertezas no meio do mundo é composto por 95 poemas, entre os quais este:

Sobre o sol no meio do mundo    

 

O sol de novembro não nos perdoa

É, inclemente torturador, queima tudo

Queima até as esperanças

Que escondemos sob as árvores

 

O sol de novembro

Não tem dó

E nos acompanha

Sádico e cínico

De segunda a segunda

Almoçando entre nós ao meio-dia

Desidratando toda a esperança

Isolando toda alegria

 

O sol de novembro

Nos abraça debochado

E se esparrama em nossos ombros

Sem ouvir as nossas preces

Nos esgota

Nos enlouquece

 

Em novembro é assim

O sol é ainda mais ameno que o coração

De quem nos vê nas esquinas parados

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