Cultura do boi-bumbá pode movimentar até 100 milhões em Parintins

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Entre R$ 80 e R$ 100 milhões serão movimentados na economia de Parintins por intermédio da realização do festival folclórico protagonizado pelos bois-bumbás Garantido e Caprichoso, na última semana de junho (26,27 e 28), segundo estimativa da prefeitura do município.

A festa, que está na sua 55ª edição, deixou de ser realizada durante dois anos, em razão da pandemia de Covid-19.

Em 2019, última edição antes da pandemia, mais de 60 mil pessoas visitaram a cidade no período da festa, assegurando a geração de emprego e renda para a população de Parintins.

“Quando foi decretado que tínhamos que fechar, fomos muito atingidos, porque não éramos serviço essencial. Tivemos que reduzir nossa margem, reduzir custo, demitir funcionários, pagar indenização parcelada. A expectativa é muito grande por conta do anúncio do festival, já passamos a fazer compras, estamos com uma prospecção de vendas melhor e querendo contratar pessoal para trabalhar nesse período”, celebrou a comerciante Andrea Baba, proprietária de uma loja de cosméticos.

Emocionada, ela comenta que voltar a ter o festival é uma alegria e um alívio para toda a cidade.

“Quando anunciou o festival, parece que foi uma luz para Parintins. Eu me emociono porque parece que saiu uma nuvem negra de Parintins e vai começar o movimento. A retomada do festival é muito importante para os lojistas e para toda a economia do município”, acrescentou a empreendedora.

A empresária Dalva Nascimento atua no ramo da hotelaria, um dos mais demandados no período do festival. Para ela, os dois anos sem a festa foram danosos para toda a cadeia de serviços e comércios da cidade.

“Eu costumo dizer que o parintinense não dança boi, ele trabalha e consegue esse recurso financeiro maior no período do festival. Nós já tínhamos cinco apartamentos alugados e pagos desde 2019, assim que acabou o festival. Logo que saiu a notícia de que o festival aconteceria (em 2022), de 15 em 15 minutos as pessoas estavam ligando. A satisfação é muito grande”, afirmou Dalva, que pretende ampliar a pousada para conseguir receber um número maior de hóspedes.

Iguaria muito apreciada pelo parintinense e por quem visita à cidade, o tacacá é a única fonte de renda para a família de Lilley Garcia, que atua no segmento há mais de 60 anos. A tacacazeira conta que festejou a notícia da realização do festival.

“É uma alegria imensa, porque ficar parado não é fácil, principalmente para nós que vivemos disso, a nossa única fonte de renda é o tacacá, então, durante os dois anos de pandemia nós sentimos muito. Quando soubemos que ia ter festival este ano, foi uma alegria para todos nós, porque a gente respira festival. Enquanto uns vêm brincar, matar a saudade, nós vamos retomar a nossa rotina normal, que é trabalhar”, disse Lilley.

Além do retorno da festa em 2022, Wilson Lima também anunciou a reforma do bumbódromo, palco das apresentações. Com investimento de R$ 5,7 milhões, as obras também vão gerar postos de trabalho para os parintinenses.

“Todos os trabalhadores envolvidos na reforma do bumbódromo têm que ser de Parintins, tem que empregar o povo daqui, que acabou sendo muito prejudicado por conta da pandemia. Não tivemos o festival e isso significou a perda de dinheiro para a tacacazeira, para o mototaxista, para o taxista, para quem trabalha com alimentação, para quem trabalha com hotelaria, para quem é artista, para quem trabalha com o boi”, enfatizou o governador Wilson Lima, em Parintins, durante o anúncio da realização do festival, no dia 24 de março.

Durante os anos de 2020 e 2021, o Governo do Amazonas realizou lives das apresentações dos bois, sem a presença de público e cumprindo os protocolos contra a Covid-19. Os espetáculos reduzidos foram a alternativa encontrada para fomentar a economia local, promovendo renda, principalmente, para os artistas dos bumbás.

 

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