Pesquisador da UFPB/Capes cria bloco de gesso sustentável

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Desde a graduação, Victor Valério Landim, engenheiro civil, tinha um sonho: criar uma solução ambientalmente correta para o setor da construção civil. Durante seu mestrado em Engenharia de Materiais, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o bolsista da Capes alcançou sua meta com os blocos de gesso sustentáveis.

O novo produto, feito a partir de resíduos de pedras ornamentais, tem potencial para substituir os tradicionais blocos de vedação utilizados na construção de edificações.

Fale um pouco sobre o seu trabalho.
A minha pesquisa desenvolveu blocos de gesso para vedação vertical produzidos a partir da reutilização de resíduos oriundos do beneficiamento de rochas ornamentais, como o mármore e o granito. A partir disso foi possível produzir um produto tecnicamente viável e com propriedades superiores as do bloco tradicional utilizado hoje em dia nos canteiros de obras.

Quais os objetivos da sua pesquisa?
Desenvolver um novo produto ecologicamente correto, difundir o seu uso na construção civil. Avaliamos a influência da substituição parcial da gipsita, também chamada pedra de gesso, por resíduos de pedras ornamentais na produção de blocos de gesso sustentáveis.

Como são produzidos os blocos de gesso sustentáveis?
Para produção dos blocos diminuímos a proporção de gesso, material não renovável, e adicionamos um resíduo que é gerado durante o processo de beneficiamento – corte e serragem – das rochas ornamentais. O volume de resíduo gerado neste processo é bastante significativo, levando-se em consideração que o Brasil é um dos maiores exportadores de rochas ornamentais no mundo, e o plano de gerenciamento destes resíduos, infelizmente, não é eficaz, sendo, portanto, na maioria das vezes, descartado de maneira inadequada na natureza.

O que eles possuem de diferente aos produtos feitos à base de resíduos para a construção civil?
São blocos que promovem a diminuição do volume de gesso, recurso não renovável utilizado no processo de fabricação, reduzindo, assim, o processo de extração. Além disso, promovemos a reinserção de um resíduo que seria descartado inadequadamente no ciclo produtivo, diminuindo, portanto, os impactos ambientais advindos deste processo.

E os resultados? Podemos mensurar?
O bloco sustentável apresentou resistência mecânica e dureza superior ao bloco tradicional. Houve uma queda significativa na capacidade de absorção de água o que o torna um material com grande potencial de aplicabilidade na construção civil e de substituição do bloco tradicional.

O que ela traz de benefício para a sociedade?
A construção civil é sinônimo de desenvolvimento e avanços, porém, em contrapartida, é um setor que consome muitos recursos naturais não renováveis e gera um volume exorbitante de resíduos. O bloco de gesso sustentável é uma alternativa viável e ainda reduz os impactos ambientais, corroborando, portanto, com a melhoria da qualidade de vida da atual e das futuras gerações.

A sua pesquisa já recebeu algum reconhecimento?
Sim, a pesquisa venceu o 13º Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável e será publicada como livro.

Quais os próximos passos? E qual a sua expectativa?
Ingressar no doutorado para dar continuidade à pesquisa. A ideia é construir um protótipo de uma residência utilizando o bloco de gesso sustentável e outros materiais ecológicos de construção que estão em fase de desenvolvimento. Após construirmos o protótipo, iremos analisar a durabilidade dos blocos frente as ações climáticas (chuva, vento etc.), o conforto térmico e acústico, dentre inúmeras outras propriedades. O projeto espera contar com o apoio de empresas, da CAPES e outras agências de fomento à pesquisa.

Qual a importância da Capes para a sua pesquisa?
A Capes colaborou diretamente com o aprofundamento e o avanço da pesquisa no mestrado. Esperamos que no doutorado tenhamos o seu apoio no desenvolvimento de novos materiais alternativos e na construção da residência sustentável. O avanço da ciência e das nações está ligado, diretamente, ao progresso das pesquisas.

 

Fonte: CCS/Capes

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