Como a crise na Venezuela agravou a saúde de um jovem com esquizofrenia

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A saúde mental de refugiados é um tema ainda pouco explorado em debates internacionais.

Os traumas vividos por crianças e jovens obrigados a fugir de suas casas por causa de conflitos e guerras deixam marcas por um longo espaço de tempo.

Migrantes entram em barco no Golfo de Uraba, Colômbia. Foto: Unicef/Tomás Mendez

Alimentos e medicamentos

Um outro drama humano são tratamentos interrompidos contra doenças graves em momentos de crises políticas e mudanças abruptas na economia e no tecido social de nações inteiras.

Na Venezuela, dos anos 90, o adolescente Leo Medina foi diagnosticado com esquizofrenia. Ele recebia os medicamentos e mantinha a doença controlada. Mas com a crise política agravada no governo de Nicolás Maduro, foi ficando mais difícil continuar o tratamento.

Faltavam medicamentos, alimentos e sobravam dívidas.

Os pais de Leo, Héctor e Yesmaira, foram cortando as doses que se resumiam a quatro comprimidos por dia.

Refugiados venezuelanos no Equador que são apoiados pelo Acnur durante a pandemia. Foto: Acnur/Ilaria Rapido Ragozzino

Depressão e trabalho

Com os remédios no fim, ele começou a ter várias crises, entrou em depressão e perdeu o trabalho.

Ele recorda que perdeu a alegria de viver na Venezuela. Assim como outros 6 milhões de venezuelanos que tiveram que fugir para o exterior nos últimos anos, deixando tudo para trás.

Quando os pais de Leo conseguiram escapar da crise para a Guatemala, o jovem conta que passou um ano e meio numa situação de saúde mental bem precária. Ali, no novo país, os médicos decidiram reexaminar o caso mudando o diagnóstico de esquizofrenia para desordem bipolar.

Muitos migrantes da Venezuela ficaram ainda mais pobres com o confinamento. Foto: Opas/Karen González

Doces venezuelanos

Hoje, aos 36 anos, ele recorda que após iniciar o tratamento, sua vida começou a melhorar.

A família, que já era empresária na Venezuela, abriu um novo negócio no país centro-americano.

Ali, Leo é quem praticamente gerencia a microempresa de doces venezuelanos, da garagem de casa, nos arredores da Cidade de Guatemala.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, afirma que as pessoas deslocadas por conflitos, violência, guerras e perseguições têm mais dificuldade para se recuperar de problemas de saúde mental que aquelas não afetadas por essas mudanças.

Refugiada venezuelana trabalhando em uma fábrica de roupas no Brasil. Foto: OIM/Bruno Mancinelle

Apoio psicossocial

Em 2019, um estudo da publicação especializada The Lancet mostrou que o “fardo de desordens mentais é pesado em pessoas que vivem em conflito”.

Já uma pesquisa da Plos Medicine ressalta que “refugiados adultos e requerentes de asilo têm taxas mais altas e persistentes de estresse pós-traumático e depressão.”

O Acnur está atuando para tornar o apoio psicossocial e a saúde mental parte integral de seu trabalho, especialmente durante a pandemia da Covid-19. Um momento em que aumentaram perdas, isolamento e incerteza sobre o futuro.


Fonte: ONU News

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