Instituições de saúde sugerem conscientização contra Doença de Chagas

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A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) fez hoje (14/4) um alerta para prevenção contra a Doença Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma crusi.

Em maio de 2019, foi aprovado, em assembleia mundial da saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS), o dia 14 de abril como o Dia Mundial da Doença de Chagas.

A conscientização da doença visa aprimorar as taxas de tratamento e curas precoces, juntamente com a interrupção de sua transmissão.

Segundo o diretor técnico da FVS-RCP, Daniel Barros, o Dia Mundial da Doença de Chagas ajuda a população na conscientização sobre a doença para evitar que ela seja negligenciada.

“Não existe uma vacina para a doença, mas existem medicamentos para combatê-la. Quanto mais cedo for o diagnóstico e o quanto antes for iniciado o tratamento, maiores são as chances de cura do paciente”, destaca Daniel.

O chefe do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental da FVS-RCP, Elder Figueira, destaca que a transmissão da Doença de Chagas é feita pelo contato de fezes e urina contaminadas do “barbeiro”.

No Amazonas, a maioria dos casos acontece pela ingestão de alimentos contaminados, durante a preparação de sucos de frutos de palmeiras, como o açaí e bacaba.

A Doença de Chagas pode apresentar duas fases: aguda e crônica. “Na fase aguda, os sintomas são: febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza e inchaço no rosto e pernas. Na fase aguda, caso a pessoa não receba tratamento oportuno, ela desenvolve a fase crônica da doença, podendo apresentar complicações como problemas cardíaco”, ressalta Elder.

Cenário

Em 2021, foram notificados 76 casos de Doença de Chagas no Amazonas.

Em 2022, de janeiro a março, 12 casos foram notificados. Este ano, os casos notificados foram registrados no município de Barcelos (4), Lábrea (3), Manaus (2), São Paulo de Olivença (1), Uarini (1) e em Carauari (1).

Causada pelo parasita Trypanosoma crusi, o Mal de Chagas é transmitido ao ser humano através de uma picada do inseto triatomíneo, também chamado de barbeiro. Foto: CDC/David Snyder

Prevenção

É importante evitar que o inseto “barbeiro” forme colônias, por meio da aplicação de inseticidas residuais, realizada por equipe técnica habilitada.

Em áreas rurais, onde os insetos possam ser atraídos por iluminação artificial, favorecendo a entrada nas casas voando pelas aberturas ou frestas, recomenda-se o uso de mosquiteiros ou telas de proteção em portas e janelas.

É recomendado usar medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas etc.) durante a realização de atividades noturnas em áreas de mata.

Para prevenir a transmissão oral, devem ser intensificadas as ações de vigilância sanitária e inspeção, especialmente atenção ao local de manipulação de alimentos.

Referência

A FVS-RCP é responsável pela Vigilância em Saúde do Amazonas e atua no monitoramento de doenças no estado, o que inclui a Doença de Chagas por meio do Departamento de Vigilância Ambiental (DVA).

A instituição funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na avenida Torquato Tapajós, 4.010, Colônia Santo Antônio, Manaus. O contato telefônico da FVS-RCP é o (92) 3182-8510.

América Latina

Na América Latina, a doença é considerada endêmica como explicou o diretor de Relações Externas da Iniciativa Global de Saúde (Unitaid), Mauricio Cysne.

“Na América Latina, a doença de Chagas causa mais morte do que qualquer outra doença causada por uma parasita incluindo a malária com cerca de 75 milhões de pessoas em risco. A Unitaid apoia ações no Brasil, Bolívia, Colômbia e Paraguai para melhorar a triagem e o tratamento da doença de Chagas para limitar a transmissão de mortes. Com isso, evitando hospitalizações e mortes por essa doença insidiosa em toda a região.”

A Unitaid calcula que até 7 milhões de pessoas em todo o mundo estejam infectadas. Menos de 10% desses pacientes são diagnosticados e apenas 1% recebe o tratamento adequado.

Doença negligenciada

O Mal de Chagas é uma das chamadas doenças negligenciadas. Muitas das pessoas que estão em maior risco estão entre as populações mais pobres e mais marginalizadas.

Causada pelo parasita Trypanosoma crusi, ela é transmitida ao ser humano através de uma picada do inseto triatomíneo, também chamado de barbeiro. A OMS afirma que 1 milhão de mulheres em idade reprodutiva podem estar contaminadas.

A agência pede aos países que invistam na prevenção da forma congênita, ou seja de mãe para filho. O Mal de Chagas também é transmitido por transfusão de sangue ou doação de órgãos.

Uma parceria da Unitaid com o Ministério da Saúde do Brasil promete melhorar o acesso a testes e o tratamento dos pacientes com cuidados para mulheres e bebês.

Sem os cuidados adequados, a doença de Chagas leva a complicações cardíacas, derrames e problemas gastrointestinais graves e até morte súbita.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, os Estados Unidos gastam mais de US$ 600 milhões por ano em custos relacionados à doença de Chagas.

Fora da América Latina, a doença de Chagas já foi registrada na África, na Ásia, na Europa e na Oceania.


Fontes: Secom/AM e ONU News, *com informações do Unitaid.

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