Prefeitura entrega cemitério indígenas com espaços para rituais ancestrais

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A Prefeitura de Manaus entrega, nesta terça-feira (19/4), no Dia do Índio, o primeiro cemitério da cidade reservado ao sepultamento de corpos de indígenas.

O logradouro está localizado no cemitério Nossa Senhora Aparecida, bairro Tarumã, zona Oeste.

O cemitério é uma reivindicação dos cerca de 20 mil indígenas que moram em Manaus segundo o presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), poeta e escritor Tenório Telles.

“Entre elas [reivindicações] estava o anseio por um reconhecimento e acolhimento da memória das populações indígenas que vivem na cidade de Manaus”, contou.

Com a medida, o município reconhece o erro dos colonizadores terem construído, em 1669, o Forte da Barra de São José em cima de um cemitério ancestral indígena, o marco zero da cidade de Manaus.

Em 2021, a Prefeitura inaugurou o Memorial Aldeia da Memória Indígena de Manaus, na Praça Dom Pedro II, em homenagem e honra dos povos tradicionais que ali habitavam antes da presença dos europeus na região, a partir da expedição de Francisco Orellana, em 1542.

Na ocasião, o prefeito Davi Almeida pediu desculpas aos povos indígenas pela violência, inclusive por meio de massacres, cometida contra seus ancestrais.

O diretor-presidente da Manauscult, Alonso Oliveira, destacou que esta é uma reparação histórica como forma de reconhecer os primeiros habitantes de nossa cidade.

“Estamos entregando mais um importante projeto para os povos indígenas de nossa cidade, fruto de um trabalho integrado de diversas secretarias com o aval do prefeito David Almeida”, disse.

Para a liderança indígena Marcivana Saterê-Maué, o cemitério tem um significado importante.

“Eles deixaram memórias ancestrais nas cerâmicas que são encontradas. E hoje temos a possibilidade, por meio do cemitério, de trazermos essa memória, uma memória presente, o cemitério estará presente para nós e ficará para as gerações futuras”, disse.

Construção

Os trabalhos de construção do cemitério indígena foram coordenados pela Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), cujo secretário é Altervi Moreira.

A obra possui 216 gavetas em cada um dos cinco módulos, totalizando 1.080 espaços de sepultamento. A preparação das ocas, o jardim e a pintura do grafismo estão sendo realizados pela Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime).

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