Jr. Fuziel expõe aquarelas que traduzem Parintins representada na literatura

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O artista parintinense Jr. Fuziel inaugura, nesta quinta-feira, às 18h, a exposição Parintins em Aquarelas, de sua autoria, no espaço artístico do mercado municipal Leopoldo Neves, centro de Parintins (AM).

O acervo é composto de oito quadros de cenários, cenas e paisagens da cidade de Parintins imortalizadas em obras da literatura amazonense (prosa, poesia e ensaio).

A curadora da exposição é a historiadora Irian Butel, que convida o público para se surpreender com a beleza e com a história que transmitem os pincéis de Jr. Fuziel.

“A montagem da exposição obedece a uma dinâmica para fazer o espectador viajar nas cores e reflexões do pintor e dos escritores sobre a cidade”, explicou a curadora.

O projeto artístico, aprovado pelo edital Amazonas Criativo (lei Aldir Blanc), já está em fase de execução e com exposição marcada para o mês de março, no saguão do Mercado Municipal Leopoldo Neves.

As obras escolhidas são: Cinzas do Norte, de Milton Hatoum; O andaluz e Órfãos das Águas, de Wilson Nogueira; O magnifico folclore de Parintins, de Tonzinho Saunier; Poesia do cotidiano, de Pedro Xisto; Ensaios de Rebeldia, de Fátima Guedes; Famintos (poema), de Rodrigo Bit; Taracuera (música), de Fred Góes; e A história dos bois (cordel), de José Maraca.

Jr. Fuziel revela que desenha desde 2001, mas veio a se encantar pelo estilo aquarela a partir de 2015, quando começou a trabalhar no setor de artes visuais do boi-bumbá Caprichoso como desenhista oficial.

“Me encantei com essa técnica e com ela estou até hoje”, disse.

Ele disse que já participou de exposições em parceria com outros artistas e, por isso, está ansioso para inaugurar uma nova fase na sua carreira.

Para o projeto, ele vai desenhar oito telas de 1,20 metro por 2 metros, cada.

Projeto

“O projeto pretende traduzir em expressão visual as memórias literárias da cidade de Parintins, integrando artes visuais, memória e literatura. As obras terão uma concepção monocromáticas na técnica aquarela”, explica a diretora executiva do projeto, a historiadora Irian Butel.

Irian lembra que as obras de Wilson Nogueira – entre elas, o infantojuvenil Órfão das Águas e O andaluz – possuem cenas e cenários da Baixa do São José (reduto do boi-bumbá Garantido), com destaque para a presença de pescadores em narrativa lúdica de preservação e consciência ambiental.

Nas obras de Milton Hatoum – livros Cinzas do Norte e Órfãos do Eldorado – estão eternizadas a arquitetura do casario da Vila Amazônia, do Colégio Nossa Senhora do Carmo e do Palácio Cordovil.

Hatoum parte da ideia de não existe literatura sem memória, assim como não existe produção artística, mesmo que abstrata, sem uma identidade pessoal. “É essa compreensão de artes juntas e misturadas que move o projeto”, acentua Irian Butel.

O poeta Tonzinho Saunier (falecido) também é considerado o historiador da cidade. Suas obras, em prosa e poemas, tratam do passado e do contemporâneo com dedicada reflexão para o imaginário Amazônia na formação da cultura parintinense.

Os ensaios de Fátima Guedes e a poesia de Rodrigo Bit trilham pelos caminhos da crítica social sobre a dura e cruel realidade que se impõe sobre as populações marginalizadas pela economia capitalista.

Pedro Xisto e José Maraca, por sua vez, possuem o dom de sensibilizar seus leitores pela estética poética, traduzindo fatos, lembranças e histórias em cenas e cenários do cotidiano parintinense.

Fred Góes, músico, compositor e cantor, fez carreira artista em São Paulo, na década de 1970, mas retornou a Parintins, na década de 1980, e se integrou ao movimento cultural que transformou os bois-bumbás Garantido e Caprichoso em espetáculo midiático com repercussão internacional.

Irian Butel disse que Fred Góes ainda está selecionando suas obras para o projeto, mas entre as suas composições mais conhecidas estão Canção de Parintins, Itaracuera e Dança das Cores.

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