Quatro mil artistas preparam o festival folclórico de Parintins

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Ao menos quatro mil artistas estão diretamente envolvidos na produção do espetáculo de arena dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso, marcado para as noites de 24, 25 e 26 de junho de 2022.

Dançarinos, coreógrafos, artistas plásticos, artesãos, paikicés, kaçawerés, soldadores, escultores, costureiras, figurinistas e pessoal do administrativo dos dois bois-bumbás intensificam suas atividades para realizar o 55º Festival Folclórico de Parintins.

Depois de dois anos sem o evento, devido a pandemia da Covid-19, os trabalhadores dos bumbás celebram o retorno da festa, mola propulsora da economia local, que gera emprego e renda às famílias do município.

O governo do Amazonas já assegurou o patrocínio R$ 10 milhões para os bois, R$ 5 milhões para Caprichoso e R$ 5 milhões para Garantido, conforme anunciou, em março, governador Wilson Lima.

Esperança

Artista plástico e alegorista de ponta do boi Caprichoso, Algles Ferreira conta que as dificuldades do período sem poder trabalhar agora deram lugar à expectativa pelo maior festival de todos os tempos.

“Isso acende essa esperança no pensamento do parintinense, retomar e aquecer a economia da nossa cidade. Parintins realmente vive do festival, é o festival que conduz não só a nossa classe artística, mas a cidade como um todo, hotelaria, restaurantes, os ambulantes, que vendem as coisas na rua”, detalhou.

Algles lembra que foi preciso buscar um trabalho alternativo para sustentar a família entre 2020 e 2021.

“Tenho um amigo que é artista também, que faz alegoria do Caprichoso, que teve uma ideia de fazer caricaturas. E a gente foi elaborando caricaturas mais realistas, começaram as parcerias. Teve dia que fizemos mais de 60 na semana. E ali, aos poucos, a gente foi tornando isso uma forma de nos sustentarmos. Foi dessa forma que conseguimos driblar as dificuldades”, disse Algles.

Recomeço

Sorin Sena, alegorista de ponta do boi Garantido, fala sobre o entusiasmo de toda a equipe de artistas com o retorno dos trabalhos.

“Essa pandemia nos deixou na espera, estamos com muita saudade mesmo. Alguns de nós dependem financeiramente total desse espetáculo. Dá para ver nos olhos dos artistas aquela alegria de ter o festival de volta, e isso contagia a gente. E não é só financeiramente, tem o amor pela nossa agremiação também, mas é claro que a gente depende financeiramente do espetáculo”, afirmou.

Ele comenta que o Festival Folclórico de Parintins, uma das maiores manifestações culturais do Brasil, exporta talentos e é reconhecido internacionalmente.

“Costumo trabalhar em São Paulo, Rio de Janeiro e, nesse último mês, nós fomos para o Uruguai. No Uruguai, o Festival de Parintins é muito conhecido e muito admirado. Na escola de samba onde trabalhei, eles têm um samba-enredo antigo que [fala] do nosso festival”, contou, orgulhoso.

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