Abelhas reconhecem companheiras contaminadas por fungo, diz pesquisador

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Pesquisa desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) descobriu que abelhas da espécie Jataí (Tetragonisca angustula) podem identificar companheiras contaminadas pelo fungo Beauveria bassiana.

O estudo foi conduzido pelo ex-bolsista da Capes Felipe Chagas Rocha Almeida durante mestrado orientado por José Maurício Simões Bento, do Laboratório de Ecologia Química e Comportamento de Insetos do Departamento de Entomologia e Acarologia da instituição.

Em artigo publicado na revista científica Chemosphere, os pesquisadores constataram que as abelhas que atuam como sentinelas das colmeias reconhecem mudanças químicas nos corpos daquelas que tiveram contato com o fungo, usado como biopesticida.

Elas, então impedem a sua entrada nos ninhos. Os cientistas descobriram que a Jataí possui um sistema sofisticado de reconhecimento das companheiras contaminadas.

“De fato, os nossos resultados subsidiam um debate importante sobre as práticas agrícolas e os efeitos do uso de biopesticidas sobre organismos não-alvo, como os polinizadores”, explica o novo mestre em Entomologia, Felipe Almeida.

Denise Alves, pós-doutoranda que também ajudou a orientar Felipe Almeida, explica que estudo semelhante foi feito na Itália com abelhas da espécie Apis mellifera. Mas, naquela pesquisa, os insetos não apresentaram o mesmo comportamento.

“As abelhas Jataí são 30% maiores e possuem antenas mais longas que as operárias. Este pode ter sido o fator que determinou este comportamento inédito das Jataí”, comenta.

A pesquisadora explica que as abelhas Jataí que atuam como guardas possuem capacidade de reconhecer o odor das companheiras. Assim, quando há alguma alteração na composição química, as sentinelas impedem a entrada das contaminadas.

“Essas guardas têm responsabilidade de preservar todo o patrimônio, como os recursos alimentares, os parentes, a mãe etc. Então estas guardas são fundamentais, pois zelam pela proteção e pela vigilância sanitária de todo ninho”.

As abelhas são consideradas insetos sociais, que vivem em grandes agrupamentos, explica o orientador de Felipe Almeida. A vantagem de se viver em grupo é poder acumular comida, encontrar parceiros mais facilmente, proteger a colmeia em grupo e assim por diante.

“As Jataí mostraram uma vantagem biológica significativa, isto é, a capacidade rara de impedir a disseminação de uma doença no grupo, e isto pode nos ajudar a entender como este mecanismo de defesa pode ser útil contra biopesticidas que usam fungos”, conclui o professor José Maurício Simões Bento.


Fonte: CCS/Capes

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