Pesquisador da UEA aprimora extração de óleo essencial de jambu

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A testagem de novos métodos para a retirada do óleo do caule, folhas e flores do jambu está entre as ações promovidas pelo projeto Desenvolvimento de Metodologia Semi-industrial para a Extração do Óleo Essencial de Jambu.

A iniciativa recebeu investimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por intermédio do Programa de Apoio à Pesquisa – Universal Amazonas, edital Nº 006/2019.

De acordo com o coordenador do projeto, doutor em Física Química Sergio Duvoisin Junior, um dos resultados obtidos pela pesquisa foi a elaboração de um extrator que possibilita maior percentual de produtividade e rendimento do óleo bruto do vegetal, supervalorizado pelas indústrias farmacêutica e cosmética. Sérgio é vinculado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA),

“Foram obtidos os parâmetros de trabalho para este extrator piloto com um rendimento de óleo bruto na faixa de 0,5 a 0,8% do material seco. Embora tenha sido um rendimento aparentemente pequeno, a maioria dos vegetais que possuem óleos essenciais produzem um rendimento entre 1 e 2%, sendo muitos com rendimentos inferiores a 0,5%. Este também é um dos motivos da valorização elevada destes insumos, explicou Sergio.

Ainda de acordo com o pesquisador, o produto também possui elevado valor monetário graças ao seu principal princípio ativo, o espilantol, molécula encontrada no óleo do jambu que provoca a conhecida sensação de dormência após o consumo do vegetal.

Deste modo, atualmente, o valor do quilo de óleo bruto de jambu no mercado atinge a expressiva marca de R$ 10.000, e 25 miligramas do espilantol pode ser comercializado por até R$ 3.800, comentou o pesquisador, salientando ainda que este tipo de óleo natural desperta muito interesse da comunidade cientifica, que investiga os seus efeitos anestésicos e anti-inflamatórios.

Programa

O Programa de Apoio à Pesquisa – Universal Amazonas financia atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, em todas as áreas do conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do Amazonas em instituição de pesquisa, ensino superior, centro de pesquisa público ou privado, sem fins lucrativos, com sede ou unidade permanente no estado.

Conhecimento

Além de obter uma forma mais eficiente e mais produtiva de extrair o óleo de caules, folhas e flores do jambu, a pesquisa também buscou enriquecer o conhecimento científico em torno da flora amazônica.

“Apenas a procura do mercado por estes insumos já justificaria o trabalho, entretanto, ainda estamos formando pessoal especializado na utilização da biodiversidade amazônica, o que é extremamente importante a longo prazo, uma vez que temos que diversificar a economia local, e nada mais óbvio que desfrutar desta imensa biodiversidade que temos à disposição”, contou.

Equipe e ideia

Ao todo, oito alunos e pesquisadores dos cursos de Engenharia Química e Química da UEA, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) participaram do projeto, iniciado no segundo semestre de 2019.

Um dos alunos que integraram o projeto está com a ideia de transformar os conhecimentos proporcionados pela pesquisa em uma futura startup para produção deste insumo típico da culinária amazônica.

Apoio

Conforme lembrou o pesquisador, os recursos obtidos por meio do apoio da Fapeam permitiram que a pesquisa fosse iniciada e toda a estrutura necessária para o andamento das atividades.

“Os recursos obtidos da Fundação foram fundamentais para a realização do projeto, embora os nossos laboratórios sejam muito bem equipados; do ponto de vista analítico, foram os recursos vindos da Fapeam que deram a oportunidade de adquirir alguns equipamentos que ainda não tínhamos,” finalizou.

 

FOTOS: Acervo do pesquisador Sergio Duvoisin Junior

 

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