Respeitável Público: abrem-se as cortinas…

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O Circo é uma das instituições universais mais longevas que subsiste em nossos tempos. Muito mais antiga que a Democracia e as eleições com voto universal e direto (mesmo assim, ainda imperfeita). O Circo é, também, uma organização gregária, com características de vida comunitária e com objetivo de proporcionar o divertimento, a arte da representação e a alegria.

Tem uma grande mobilidade adaptativa e chega a todos os rincões onde se estima a presença de núcleos humanos, quaisquer que sejam suas origens. “Abrem-se as cortinas, o espetáculo vai começar”! Portanto, não há demérito em usar o circo como metáfora na comparação com o início formal do processo eleitoral: “O Espetáculo da Democracia”.

Que não se abra a boca para comparar “Palhaços” com “Candidatos”, de forma pejorativa. Os dois têm dignidade! Palhaços são artistas exercendo o seu mister como qualquer outro trabalhador. Candidatos, são pessoas dignas e portadoras de qualidades que as credenciam a aspirar a algum cargo, função ou honraria, mas não são detentores deles ou delas. Pelo menos, até que sejam escolhidos conforme as regras estabelecidas.

Assim como o Circo não pode existir sem os seus Palhaços, o espetáculo da democracia não existe sem os seus Candidatos. Os primeiros se apresentam com sua arte de divertir e os segundos se apresentam com suas Propostas e carismas.

O problema no processo eleitoral ocorre quando coexistem candidatos e falsos candidatos. Estes se fantasiam de falsos palhaços com o pretexto de animar o que imaginam ser um “circo”, mas o que querem mesmo é conspurcar o processo, já que não acreditam nele, não o querem, ou o desejam para fins de contestação e atingir objetivos escusos de tocar fogo na lona. O que fazem, na verdade, é impedir que a Democracia, assim como o Circo, leve a alegria da participação coletiva a todos os lugares, por mais distantes que estejam, na esperança de uma sociedade melhor.

“Respeitável Público”, o Circo e a Democracia andam decadentes: artistas circenses, privados do exercício de seu ofício, quer pela crise econômica ou por preconceitos que se expandem sem que se explique bem a origem, andam frequentado as ruas nos semáforos; a democracia está definhando e alguns até a renomearam: “democracia não liberal”, qualificando as formas de governo preconizadas pela extrema direita.

O verniz utilitarista radical é a marca ideológica dessa adjetivação que se quer impingir como “libertária”, mas que desrespeita as minorias e dá cabo de todo o processo de humanização, tão caro à civilização ocidental e às demais, que por ela foram influenciadas. Pode ser notada na Hungria, na Polônia, na Turquia e na Índia. O Brasil, a cada dia, está ficando com a cara de “bola da vez”.

A Rússia e a China, historicamente, seguem modelo de governança de estilo imperial, independente das adaptações ideológicas ao longo dos tempos, que as tornam diferentes dos modelos ocidentais ou ocidentalizados de governo.

Os que lembram a festa que foi a retomada da democracia no Brasil nos anos 80 sabem aquilatar bem o significado das coisas. Mesmo não sendo uma vitória completa, pois ficaram “casos pendentes” que voltam à tona, esperanças floresceram e renderam muitas conquistas. Apesar de todas as nossas mazelas, de todas as iniquidades que ainda marcam o nosso cotidiano, os tempos atuais não se igualam aos que experimentamos em mais de 20 anos de Ditadura Militar.

“Democracia não liberal” é o eufemismo que doura a pílula dos governos autoritários ou autocráticos dos tempos hodiernos. Com ela, não há mais garantias: ao “moleiro de Sans-Souci de que existirão juízes em Berlim”; que teremos Palhaços nos Picadeiros exercendo a arte do livre pensar e expressar; Candidatos eleitos e diplomados, ocupando espaços de representação do povo; e o Espetáculo da Democracia, repetindo-se na regularidade do seu tempo.

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