Varíola dos macacos pode ser contida em países não endêmicos

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Nesta segunda-feira, representantes da Organização Mundial da Saúde, OMS, responderam perguntas do público em uma sessão virtual sobre a varíola dos macacos, após a confirmação de 92 casos de infecções do vírus na última semana.

A líder de doenças emergentes e zoonoses, Maria Van Kerkhove, que também é responsável técnica para Covid-19, explicou que a disseminação da doença causa preocupação pelo aumento de casos em países não endêmicos.

Monitoramento

Ela afirmou que a situação pode ser contida, principalmente nos países da Europa e da América do Norte, onde os surtos são observados, mas destacou que é necessário seguir monitorando de perto a situação nos locais onde a doença é endêmica.

Maria Van Kerkhove explicou também que, como parte do trabalho da OMS, existe uma constante avaliação da situação de diversas doenças para que sejam levantados estados de emergência.

Até o momento, a OMS não está tratando o aumento de casos de varíola dos macacos como uma emergência sanitária, mas afirma estar comprometida com estudos e trabalhando com diversos técnicos de todo o mundo para avaliar os desdobramentos da contaminação.

Zoonoses

A diretora do secretariado de varíola do programa de emergências da OMS, Rosamund Lewis, lembrou que a varíola é conhecida há pelo menos 40 anos e alguns casos apareceram na Europa nos últimos cinco anos em viajantes de regiões endêmicas.

No entanto, ela alertou que esta é a primeira vez que são registrados casos em vários países ao mesmo tempo e pessoas que não viajaram para as regiões endêmicas da África, como Nigéria, Camarões, República Centro-Africana e República Democrática do Congo.

Ao responder uma pergunta da audiência sobre a possibilidade de mutação do vírus, ela explicou que as chances são baixas, embora estejam trabalhando no sequenciamento do genoma dos casos para que possam entender com profundidade o surto atual.

Transmissão e estigma

Avaliando a transmissão por contato sexual, o Conselheiro de Estratégias, Departamento de Programas Globais de HIV, Hepatite e DST, Andy Seale, reforçou que a doença não deve ser vista com estigma, já que qualquer pessoa que tiver proximidade com um paciente pode ser infectada.

Além do representante da OMS, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids, também publicou uma nota expressando preocupação sobre comentários relacionando a doença a população LGBTI e africanos.

A OMS observa que as evidências disponíveis sugerem que aqueles que tiveram contato físico próximo com alguém com varíola estão em maior risco, mas não se limita aos homens que fazem sexo com homens.

O vice-diretor executivo do Unaids, Matthew Kavanagh, afirma que o estigma e a culpa minam a confiança e a capacidade de responder efetivamente a surtos como o atual.

Segundo ele, a experiência mostra que a retórica pode reduzir a resposta baseada em evidências, alimentando ciclos de medo, afastando as pessoas dos serviços de saúde, impedindo esforços para identificar casos e incentivando medidas ineficazes.

Matthew Kavanagh ainda agradeceu a comunidade LGBTI por ter liderado a conscientização e reforçou que a doença pode afetar qualquer pessoa.


Fonte: ONU News

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