Eucalipto afeta biodiversidade de florestas nativas na Amazônia, alerta estudo

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Preocupados com os efeitos que o plantio de espécies de árvores exóticas, isto é, plantas não nativas como o eucalipto (Eucalyptus), podem influenciar a biodiversidade de florestas nativas e preservadas próximas a esses plantios, provocando o que os ecólogos denominam efeito de borda, que são alterações que se concentram nas extremidades dos fragmentos de floresta, deixando-os expostos ao clima, parasitas e outros fatores biológicos e químicos que influenciam de forma negativa a vida das plantas.

Esse é o resultado de um estudo de cientistas da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e da Universidade de Bristol publicado nessa terça-feira (7/6), no periódico internacional Forest Ecology and Management, mostrando como florestas plantadas com este tipo de árvore, na região do Jari, no estado do Pará, prejudicar as plantas nativas.

Utilizando os besouros rola-bosta, espécie que apresenta papel fundamental nas florestas tropicais, a pesquisa revelou que os efeitos de borda, causados pelas plantações de eucalipto, podem alcançar até 800 metros para o interior das florestas nativas próximas a esses plantios.

A influência desses efeitos, provocados pelo desmatamento e o manejo florestal madeireiro sobre as árvores, vem sendo investigados há décadas. No entanto, pouco se sabia sobre o impacto das plantações de árvores exóticas sobre as comunidades da fauna, que habitam ecossistemas nativos e próximos dessas florestas plantadas.

Coleta

Para preencher essa lacuna de conhecimento, os cientistas coletaram cerca de 3.700 indivíduos de 49 espécies de besouros rola-bosta em florestas na região do Jari, Pará. A região foi escolhida porque faz parte de um Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD Jari) em que diversas pesquisas vêm sendo realizadas.

Os pontos de coleta foram estabelecidos em diferentes distâncias dos plantios de Eucalyptus. Eles também mediram outros fatores que poderiam influenciar os besouros, tais como: quantidade de areia no solo; abertura da copa das árvores; e quantidade de folhas acumuladas no chão da floresta.

“Nossos resultados trazem novas perspectivas e fazem um alerta sobre a expansão dos plantios de espécies florestais exóticas na Amazônia, como o eucalipto e o dendê, ao demonstrar o seu potencial efeito nas populações de besouros habitando florestas nativas adjacentes”, explica o Dr. Filipe França, professor e pesquisador da Universidade de Bristol, coautor da pesquisa.

Respostas dos besouros

A pesquisa demonstra que os efeitos de borda das plantações exóticas sobre a biodiversidade das florestas nativas variaram entre as espécies e tipos de métricas monitoradas.

“As respostas dos besouros rola-bosta frente aos efeitos de borda dependeram das espécies investigadas. Por exemplo, encontramos maior quantidade de espécies sensíveis ao distúrbio distante das plantações de eucalipto, enquanto algumas espécies oportunistas aumentaram suas populações na proximidade das florestas plantadas”, ressalta Maria Katiane Costa, ex-aluna do Programa de Pós-graduação em Biodiversidade da Ufopa e líder do estudo.

Os resultados também são importantes para a tomada de decisão e práticas de conservação na Amazônia.

“Compreender as respostas de várias espécies a distúrbios antropogênicos é crucial para enfrentar a atual crise de biodiversidade e nossas descobertas são fundamentais para gestores florestais e estratégias de conservação que visam manter a biodiversidade em ecossistemas nativos da região tropical”, explicou o professor Dr. Rodrigo Fadini, coautor da pesquisa, da Universidade Federal do Oeste do Pará.

O artigo científico Edge effects from exotic tree plantations and environmental context drive dung beetle assemblages within Amazonian undisturbed forests, de autoria dos pesquisadores Maria Katiane Sousa Costa, Filipe França, Carlos Brocardo e Rodrigo Fadini, foi publicado no periódicoForest Ecology and Management e está disponível aqui: https://authors.elsevier.com/sd/article/S0378-1127(22)00271-7.


Fonte: Comunicação/Ufopa

Texto: Talita Baena

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