Criação da Província do Amazonas segundo Arthur Cezar Ferreira Reis

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A população do Alto Amazonas jamais se conformou com a sujeição do Pará. A explosão de 1832 vale como uma prova das aspirações de independência que dominavam os amazonenses. E não sem razão essas aspirações.

As autoridades paraenses tendo um território imenso sobre que providenciar, não podiam, mesmo que dispondo da maior boa vontade, governar de maneira a fazer a felicidade daqueles brasileiros, dando progresso à região. Era impossível.

Compreendendo a justiça da causa dos amazonenses, vozes autorizadas ergueram-se, fora da comarca, pegando pela medida ansiada. No parlamento nacional ouviram-se orações convencedoras, chamando a atenção do país para o alto Amazonas. O Império devia-lhe uma reparação. Essa reparação seria o restabelecimento da condição de Província.

Dom Romualdo Antônio de Seixas, cuja eloquência estava a favor das grandes causas nacionais, foi o primeiro a bordar comentários em torno da situação da comarca, em 1826, lembrando a restauração como Províncias do Império […]

Deputado pelo estado do Pará, que administrara na qualidade de presidente da junta governativa aclamada no momento da adesão à independência, Dom Romualdo, o Marquês de Santa Cruz, conhecida bem o que ia pela Amazônia. A sua palavra, em favor dos amazonenses, significava muito. Embora, o projeto não teve andamento […]

[…] O alto Amazonas dispunha dos elementos negados. Além de mais, o império estava na obrigação de reparar a injustiça cometida em 1825, restituindo-lhe a condição política reivindicada e em discussão. Acompanhado, animados, a polêmica travada, Tenreiro Aranha e Souza Franco, a 23 e 30 de junho, vibraram no recinto da Câmara em novas orações calorosas, rebatendo as afirmativas fáceis, demolindo alegações inverdadeiras existindo a restituição do direito que há décadas vinham privando os brasileiros do extremo norte.

[…] aceitando o ponto de vista de restabelecimento da Província, rebaixada após a independência, pontando a reparação que tanto tardava, aprovou o projeto em 28 de agosto. Subindo à sanção, o governo imperial não se mostrou indeciso. Dom Pedro II, referendado pelo ministro do império, visconde de Monte Alegre, pela lei 592, de 5 de setembro, de 1850, satisfez a maior aspiração da comarca […]

Arthur Cezar Ferreira Reis, em História do Amazonas (Valer), 2020.

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