Novo livro de Fátima Guedes denuncia memoricídio cultural

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A escritora  e educadora popular  parintinense Fátima Guedes lançará, nesta terça-feira (21/6), o livro Vestígios de Curandage, cujo enfoque é o resgate da ancestralidade, por meio das práticas populares e tradicionais de lidar com a saúde humana.

A obra será apresentada aos leitores na Feira do Produtor, entorno do bumbódromo, em Parintins (AM).

Na quarta-feira (22/6), a autora participará da manhã de autógrafos, na Estação da Cultura, que a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa realizará no Estádio Tupy Cantanhede.

Em Manaus, o livro será lançado 25/6, no projeto Jaraqui (Praça Heliodoro Balbi), e 26/6/, na Feira de Artesanato e Gastronomia da avenida Eduardo Ribeiro, na banca da livraria O Alienista.

Vestígios de Curandage é a quarta obra de publicação independente da escritora.

O livro é resultado de entrevistas realizada pela autora com curadores populares adeptos das práticas popular/tradicionais de saúde. Após definir o conteúdo, ela se lançou em busca de apoio para publicá-lo em livro físico.

Ancestralidade

Segundo a autora, a obra é uma forma de resgate da ancestralidade, a partir das práticas popular/tradicionais de saúde.

“A história da medicina é milenar e nasce da experiência e observação das populações tradicionais em seus diálogos perenes com a biodiversidade. A caraterística dessas populações centrava-se no cuidar da vida a partir de jeitos naturais variados, posteriormente incorporados, aperfeiçoados e/ou modificados pelo tecnicismo mercadológico”, comenta Fátima Guedes.

“Nosso tempo é breve e urge por interlocuções solidárias […] são acordes, talvez acenos tardios, porém plenos de esperançamentos; despertares de interatividades sobre Vestígios de Curandage – gotas de sobrevivências ao memoricídio cultural, no Município de Parintins, um pedaço de Amazônia conhecido no Brasil e em outros países através de seu festival folclórico, realizado no mês de junho”, acrescenta a autora.

Atividade desenvolvida pela autora que valoriza os saberes tradicionais. Fotos: Floriano Lins

Independentemente do anonimato sistêmico a tão necessária base cultural, Fátima Gudes entende que é necessário reafirmar indeléveis vestígios, sempre ativos quando as práticas de cuidados naturais de saúde exigem a sábia intervenção de nossos curadores populares. “Hoje, no real-concreto da Amazônia, aqui, ali; um/a e outro/a timidamente mantêm os diálogos com a sabedoria dos cuidados advinda de nossas ancestralidades”, lembra.

Para ela, “a coletânea dos Vestígios, registrados a partir de 2008, exigiu perseverança, amorosidade e crença em possíveis acolhimentos de leitores sensíveis à causa, considerando-se que a historicidade da maioria de nossos curadores mantém-se anônima: sobrevive em tímidas e acanhadas lembranças; vagueiam nas memórias de familiares, de amigos, sem que muitos deles tenham a real percepção da importância do valoroso acervo na construção de modos de vida humanamente justos e solidários”.

Por sintonizar e cultivar em suas vivências a sabedoria dos povos tradicionais (matriz da ciência acadêmica em vigor) sobre a importância de uma saúde coletivizada, Fátima Guedes desbrava silêncios colonizantes, academicistas e, ao mesmo tempo, desafia-se partejar vestígios de nossa curandage caboca – essência cultural dos nativos amazônidas.

Ela também compreende que “sabedoria e conhecimento divergem em natureza semântica, porém são estradas de mão dupla”. Assim, segundo ela, eficácia terapêutica da sabedoria popular/tradicional desafia tempo, espaço e cientificismo.

“Resgatá-la é a ordem. Preservá-la é obrigação dos construtores do bem viver”, ensina.

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