Bolsista da Capes analisa proteína como proteção para doença do coração

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Katyana Ferreira é doutoranda em Ciências Biológicas: Fisiologia e Farmacologia, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com bolsa do Programa de Excelência (Proex) da CAPES. Sua pesquisa avalia como a proteína STI1, induzida por estresse, pode exercer papel protetor em patologias cardíacas, como a hipertrofia.

Conte sobre sua trajetória acadêmica e iniciação científica.

Eu sou bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde iniciei minha caminhada na pesquisa científica. Desenvolvi dois projetos de Iniciação Científica como bolsista CNPq.  Sou mestre em Biologia Aplicada à Saúde, pelo Instituto LIKA da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Lá, investiguei por bioinformática o potencial papel deletério de mutações em genes associados a doenças cardíacas, bem como, a expressão desses genes em pacientes com Síndrome de Down e cardiopatias congênitas.

Fale um pouco sobre a pesquisa premiada.

O trabalho indicado ao prêmio é intitulado ‘A superexpressão da STI1 protege camundongos da hiperativação adrenérgica induzida por lesão cardíaca’. Este trabalho teve como objetivo avaliar se o aumento da expressão da STI1 poderia proteger o coração contra a lesão cardíaca induzida por aumento da atividade adrenérgica. Este projeto é desenvolvido no Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, orientado pela professora Silvia Guatimosim no Laboratório de Sinalização, em parceria com o professor Marco Prado, do Instituto de Pesquisa Robarts, da University of Western Ontario, no Canadá. Neste trabalho, nosso grupo mostrou que o aumento na expressão da STI1 tem um papel protetor para o coração em resposta à indução da lesão cardíaca. Este dado é relevante do ponto de vista terapêutico, uma vez que corações de pacientes humanos expressam esta proteína.

Quais são os próximos passos para esse estudo?

Atualmente, tentamos entender como a STI1 exerce este efeito protetor e descobrir quais os mecanismos levam essa proteção para o coração.

: Os resultados em laboratório são promissores para ações com humanos Foto: Arquivo pessoal

Como você acredita que seu trabalho pode contribuir para a melhoria da vida das pessoas?
Além de mostrarmos a importância da STI1 em proteger o coração da hipertrofia e outros danos, nós também observamos que pacientes com insuficiência cardíaca (IC) têm alteração nos níveis de STI1, indicando uma possível relação com o quadro de IC. A IC pode ser consequência comum a vários tipos de doenças que atingem o coração. Por isso, a STI1 pode ser um importante marcador para a detecção e progressão de doenças do coração ou até mesmo uma molécula importante no tratamento. No entanto, mais estudos precisam ser realizados. Este projeto tem um grande potencial na descoberta de uma nova molécula com função protetora para o coração, podendo melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas.

Fale sobre o prêmio que você foi indicada.

O XXVI Simpósio Brasileiro de Fisiologia Cardiovascular foi realizado em março de 2022 e promovido pelo Programa de Pós-graduação em Fisiologia e Farmacologia da UFMG. Além de reunir pesquisadores de renome nacional da área de Fisiologia Cardiovascular, também participaram alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores de todo o Brasil. Meu trabalho foi selecionado entre cerca de 65 resumos submetidos para concorrer ao prêmio Wilson Teixeira Beraldo, que reconhece e premia seis finalistas com base na originalidade e qualidade de seus trabalhos. Os trabalhos foram apresentados para uma banca avaliadora composta por pesquisadores de grande renome nacional na área de Fisiologia Cardiovascular. Este reconhecimento tem grande importância no estímulo para o desenvolvimento da pesquisa e significa o reconhecimento do trabalho de vários pesquisadores envolvidos que contribuíram direta e indiretamente para a sua qualidade. Ciência não se faz sozinho e sem apoio financeiro.

Qual a importância desse apoio para o desenvolvimento do seu projeto?

O apoio da CAPES foi essencial para o desenvolvimento do meu projeto e meu crescimento científico, não só pela bolsa, como também pelo apoio a vários projetos executados no laboratório de que faço parte. Sem a bolsa eu não conseguiria desenvolver este projeto com dedicação exclusiva, como faço hoje.


Fonte: CCS/Capes

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