Corre Campo: o Boi da Resistência

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O Boi Bumbá Corre Campo traz o tema “O Boi da Resistência” para o Festival Folclórico do Amazonas de 2022, celebrando 80 anos de sua criação e de luta em defesa da cultura e do fazer popular.

Com origem no Ciclo do Pastoreio, quando surgiu nos terreiros das senzalas, nas fazendas de gado, empurradas do litoral para o sertão nordestino, a brincadeira de boi se espalhou pelo país e chegou à Amazônia, daí o motivo que levou à afirmação de Mário de Andrade de que “O boi é o bicho nacional por excelência”.

De um processo histórico doloroso das imposições políticas e econômicas da colonização, o bumba-meu-boi ou boi-bumbá é, hoje, importante instrumento de conscientização da história social dos povos indígenas e de negros africanos escravizados pelo processo colonial e, é também, um bem cultural de resistência por onde reverberam as lutas atuais dos povos e comunidades tradicionais. Sérgio Ivan Gil Braga afirma que “o boi é bom para pensar”.

O registro mais antigo sobre o Boi nas ruas de Manaus é de meados do século XIX, feito em 1859 por Avé-Lallemant. Tradição das ruas e terreiros da cidade, ganhou maior vigor e difusão com os mais de 500 mil nordestinos que vieram para a região no período do ciclo da borracha.

Herdeiro dos bois do século XIX, o Corre Campo é um legado que atravessa gerações como o mais antigo Boi de Manaus em atividade.

Fundado em 1 de maio de 1942 por jovens negros do Bairro de Cachoeirinha, em devoção a Santo Antônio, São Pedro, São João e São Marçal, com as bençãos de Mãe Joana Gama, Mãe Quintina Menézia e Mãe Zulmira.

Tradição afro indígena que resiste, persevera e perpassa os séculos, faz de sua bandeira um grito de alerta, um canto de paz, de amor e respeito pela nossa gente e hoje comemora 80 anos de luta e resistência cultural, superando as adversidades, valorizando a diversidade etno-cultural e a sustentabilidade do Amazonas e do Brasil.

O mapa na testa simboliza nossa nação, por isso nossos Rapazes se apresentam de verde e amarelo. O vermelho e dourado em nosso estandarte são de Iansã, por isso nossos Vaqueiros se apresentam de vermelho e branco.

As fitas multicores nos chifres manifestam nosso respeito às pluralidades e diversidades, por isso nossas Tribos indígenas se apresentam com profusão de cores. Assim é o Corre Campo, um brinquedo, um folguedo, um lúdico manifesto popular de resistência contra todas as formas de preconceito e opressão.


Texto: Socorro Batalha e Alvatir Carolino

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