Deprecated: A função Advanced_Ads_Plugin::user_cap está obsoleta desde a versão 1.47.0! Em vez disso, use \AdvancedAds\Utilities\WordPress::user_cap(). in /var/www/html/amazonamazonia.com.br/web/wp-includes/functions.php on line 5381

Povo Tikuna articula reconhecimento de universidade com ensino diferenciado

Por MARCUS STOYANOVITH

Compartilhe:

O novo cacique geral do povo Tikuna, Paulino Nunes, eleva as mãos aos céus e confraterniza com lideranças que já se foram e pede bençãos ao deus Yo’I (pronuncia-se Joi) por evento que marcará a história milenar do seu povo e das lutas pelos direitos constitucionais dos indígenas: a instalação efetiva da Universidade Indígena Diferenciada do Alto Amazonas.

Os ticunas formam a mais numerosa etnia da região do alto rio Solimões, na tríplice fronteira (Brasil, Colômbia e Peru).

A Uida foi criada em 18/01/2021, no CNPJ 47.052.383/001-05, sob a égide do Direito privado e em nome da Comissão Geral da Tribo Tikuna (CGTT), que administra a Organização Geral do Povo Tikuna do Brasil (OGPTB), entidade que fornece formação para professores indígenas em sala de aula.

A sede da Uida será na comunidade Filadélfia, área demarcada Tikuna, município de Benjamim Constant (AM).

O projeto de criação da Uida, cita o decreto Nº 6.861, estabelece aos indígenas o direito à educação escolar diferenciada e intercultural.

Paulino Nunes, cacique geral do povo Tikuna

O membro da CGTT José dos Santos é categórico em afirmar que a Uida está em conformidade com todas as leis que regem as Diretrizes de Base da Educação Nacional, atendendo à educação diferenciada.

É diferenciada, porque os indígenas têm direitos constitucionais a viverem de acordo com sua ancestralidade, cosmologia, crenças e cultura. O cacique e professor Eli Catachunga afirma que os Tikuna estão preparados para ensinar aos Tikuna. Ele está à caminho para a Universidade de São Paulo (USP), onde fará doutorado em Educação Diferenciada e depois retornará à sua comunidade,

Eli Catachunga, professorEli se refere ao fato que nas universidades públicas, professores não indígenas jamais traduzirão a cultura essencial dos indígenas para os próprios indígenas.

Sem tirar o mérito do conhecimento adquirido por eles, ele reclama da pouca disponibilidade de vagas nas universidades públicas do Amazonas, máximo 35 vagas, cada uma, enquanto formaturas no ensino médio são mais numerosas.

A professora Simone Custódio, representante da juventude Tikuna, diz que a Uida vai possibilitar a continuidade dos estudos para o ensino superior. Com tristeza e preocupação, ela diz que muitos jovens desistem de estudar por falta de vagas e é, cada vez maior, o número dos que se entregam às drogas e ao ostracismo.

A liderança das mulheres Tikuna, Evelacia Salustiano, pede urgência aos Governo do Amazonas, via Secretaria Estadual de Educação (Seduc), e Governo Federal, via Ministério da Educação (MEC), no reconhecimento da Uida.

Evelacia Salustiano, liderança das mulheres Tikuna

Evelacia reforça a necessidade do povo Tikuna ter sua própria universidade para dar seguimento nos estudos dos jovens Tikunas no nível superior e para o fortalecimento da cultura indígena, no profundo respeito da sociedade brasileira às diferenças, reconhecidas na Constituição Federal, nos Artigos 231 e 232.

Rafael Moçambique, professor Tikuna, acredita que as autoridades vão respeitar o que está na Constituição de 1988 e o que determinam as leis que regem a educação diferenciada no Brasil.

Diz que a Uida pode interagir com outras etnias da região e que não é impedimento para criação de outras universidades indígenas.

A luta Tikuna agora é pelo reconhecimento da Uida, que inicia suas atividades com o curso de Licenciatura Plena. Por isso, 29 lideranças Tikunas de vários clãs do Alto-Solimões estão em Manaus (AM) para se reunir com agentes do governo local em busca de apoio para ir à Brasília.

Olavo Tertuliano. Liderança Tikuna de São Paulo de Olivença.

Na bagagem levam crença no novo governo Lula e querem com ele se reunir, assim como com autoridades do MEC, do Ministério dos Povos Indígenas e da Funai.

Lá vão defender o reconhecimento da Uida que para eles é o resgate do respeito humano aos povos indígenas do Brasil e à ancestralidade Tikuna.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.