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O Projeto Genoma Humano segundo Fritjof Capra e Pier Luige Luisi

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Uma discussão detalhada sobre todos os sucessos e perigos da biologia molecular nos afastaria muito de nossa trilha. No entanto, entre as aplicações mais estreitamente relacionadas com este livro, devemos mencionar o Projeto Genoma Humano, o ambicioso empreendimento de identificar e mapear a sequência genética completa da espécie humana.

O Projeto Genoma Humano começou em 1990 como um programa de colaboração entre várias equipes dos principais geneticistas, que foi coordenado por James Watson e financiado pelo governo dos EUA pelo montante de 3 bilhões de dólares.

Durante os anos seguintes, os esforços dessas equipes de pesquisa se transformaram em uma feroz corrida entre o projeto financiado pelo governo, que tornou suas descobertas disponíveis para o público, e um grupo privado de geneticistas em acirrada competição, financiado por capitalistas que empenham fortunas nesses empreendimentos de risco, e que mantêm seus dados em segredo a fim de patenteá-los e vendê-los a empresas de biotecnologia.

Em sua dramática fase final, a corrida foi decidida por um herói improvável, um jovem estudante de graduação, James Kent, que, sozinho, escreveu o programa de computador decisivo que ajudou o projeto público a vencer a corrida durante três dias, e, portanto, impediu o controle privado da compreensão científica dos genes humanos (veja o New York Times de 13 de fevereiro de 2001).

O mapeamento bem-sucedido do genoma humano revelou uma complexa paisagem genética cheia de muitas surpresas, algumas das quais continham pistas intrigantes sobre a evolução humana.

Para sua perplexidade, os cientistas descobriram uma espécie de registro fóssil genético consistindo em “genes saltadores”, que irromperam de seus cromossomos em nosso passado evolutivo distante, replicaram- se de maneira independente, e depois reinseriram suas cópias em várias seções do genoma principal. Sua distribuição indica que algumas das sequências não codificadoras do genoma podem contribuir para a regulação global da atividade genética. Em outras palavras, eles não são “lixo”, em absoluto.

O conjunto de genes no organismo humano consiste em uma sequência de 3 bilhões de pares de bases, e cada uma delas foi identificada. O genoma humano conquistou a mídia, e chega até mesmo a ser considerado “o livro da vida”.

No entanto, como mostraremos na próxima seção, essa ideia é muito problemática. Há no genoma humano cerca de 25 mil genes, e uma vez que a vida humana baseia-se em um número consideravelmente maior de proteínas, a noção clássica do “dogma central da biologia molecular” – “um gene – uma proteína” – não mais se assusta.

Na verdade, o projeto Genoma Humano tem significado de estar representando um dos impulsos mais importantes para uma revolução conceitual na genética, para a qual nos voltaremos nas páginas seguintes.

Fritjof Capra e Pier Luige Luisi,  em A visão sistêmica da vida: uma concepção unificada e suas implicações filosóficas, políticas, sociais e econômicas. Cultrix, São Pualo, 2014.

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