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Pai, eles sabem o que fazem

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Jesus Cristo, antes de entregar ao Pai o seu Espírito, referindo-se aos que o crucificaram, proferiu as célebres palavras que resumem a sua missão de Deus Filho e intermediário entre os homens e Deus Pai, reafirmando, assim, a sua condição divina e a sua misericórdia: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que estão fazendo” (Lucas 23:34).

Não quero blasfemar e nem cometer sacrilégio, como muitos salafrários que estão matando e usando o nome de Deus e, ainda, em seu nome, tomando dos pobres o pouco que ganham para enriquecimento pessoal, na maior cara de pau.

Em nome desse sentimento religioso que atravessou a minha formação, não peço a Deus que os perdoe ou os condene para sempre, pois não tenho lastro e nem intimidade com Ele para tal. Mas que são canalhas, são! Mesmo aqueles de “cabelos brancos”, que durante muito tempo se fingiram de democratas, de esquerda, de áulicos de grandes utopias.

Tudo fizeram, como Judas Iscariotes, ou pior que ele, pois não se sabe das motivações: por fraqueza, por duas ou três mariolas, ou por aquela vontade de trair, que às vezes acomete os políticos, até aos mais experientes, como já dizia Tancredo Neves. É corrente a frase de Rui Barbosa: “não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas  envelhecem”.

A vindita já estava programada: as tentativas de Golpe de Estado até agora haviam falhado. Até as mais “engenhosas” eram amadoras demais, mas os golpistas intentam uma nova tática e ganhar pelas duas pontas, vingando-se do Supremo Tribunal de Federal (STF), que foi pedra no caminho do “golpismo”, e abrindo a porteira para o autoritarismo de extrema direita, na forma da lei, tal como na Polônia, na Turquia, na Hungria, sem falar das ditaduras latino-americanas.

Pensam longe, com a ajuda de velhas raposas da negociata por cargos, poder e emendas. Primeiramente, o plano é testar a interferência nos procedimentos internos do STF, que, se diga de passagem, precisam mesmo ser melhorados, mas por decisão de seu próprio colegiado, como poder independente.

O passo seguinte será mudar o desenho do Colegiado e, outros tantos, como a revisão de suas decisões pelo Senado da República, além de impeachment de Ministros. Em havendo resistência, quem sabe, mais uma PEC poderá ser o golpe de “misericórdia”, fechá-lo, já que não servirá para mais nada, a não ser aos interesses de fachada.

É certo que a CF de 1988 admite emendas no seu corpo expandido de mandamentos, desde que não se afetem os pontos fundamentais, tidos como cláusulas pétreas. Mais dá pena! Quem acompanhou aqueles dias de luta para que fosse convocada uma Assembleia Nacional Constituinte para nos dar uma Carta digna, que reparasse os estragos criminosos da Ditadura, sabe muito bem o quanto ela nos custou.

Para convocar uma Constituinte, exige-se que tenha havido antes um fato político de ruptura com a ordem vigente como foi o fim da Ditadura.

Apesar dos conchavos indecorosos e do mandonismo brasileiros, o clamor das ruas, das famílias e da consciência nacional reivindicando justiça pelos corpos torturados, mutilados, sumidos nas masmorras dos quartéis prevaleceu e as liberdades sonegadas sob o taco da censura foram recuperadas. Nossos constituintes nos brindaram com uma “Constituição Cidadã”. Dá pena! Bastar “dar um Google” em Constituição Federal de 1988 e ela se abre sobre a nossa tela, toda riscada, indicando as alterações sofridas.

Algumas para melhorar o texto, muitas necessárias para suprimir ambiguidades, outras porque o mundo mudou e ajustes foram feitos. Mas, olhando bem, encontraremos, também, maledicências, conveniências políticas de grupos majoritários de poder.

E tudo vem do Parlamento, onde alguns mequetrefes, incensados pelo voto popular, pensam que podem tudo, inclusive passar por cima de alguns valores e normas que nos custaram sofrimento e até a vida de muitos, como o respeito às minorias e o seu direito a ter direitos, consagrados na Carta Magna.

Dá pena saber que representes do povo embarcaram na canoa furada dos desiludidos do Art. 142 para golpear o Estado Democrático de Direito. Tudo está sob a luz do sol e precisamos agir, porque eles sabem o que fazem!

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