Deprecated: A função Advanced_Ads_Plugin::user_cap está obsoleta desde a versão 1.47.0! Em vez disso, use \AdvancedAds\Utilities\WordPress::user_cap(). in /var/www/html/amazonamazonia.com.br/web/wp-includes/functions.php on line 5381

Impacto das mudanças climáticas sobre aves ribeirinhas

Compartilhe:

A seca que recentemente assolou o norte do Brasil, especialmente os estados da Amazônia, desencadeou uma série de eventos ambientais que afetou vida e o comportamento, como a das aves aquáticas ou ribeirinhas, residentes e migratórias, que têm parte ou todo o período de seu ciclo de vida associado à água, aos rios, lagos e aos ambientes úmidos e/ou encharcados.

Os impactos do extremo calor e seca afetam, especialmente, estas espécies. As aves residentes são aquelas nativas do Brasil que o têm o ciclo reprodutivo e de vida na região onde nasceram, vivem e se reproduzem.

Marreca-cabocla. Foto; Marilene Omena

 

Marrreca-ananaí. Foto: Marilene Omena

Aves como garças, socós, mergulhões, martins-pescadores, jaçanãs, corocas, patos, marrecas, gaivotas, entre outras, são espécies nativas que vivem da fauna dos rios, lagos e charcos e dependem da oferta de alimento provido nestes ambientes: peixes, crustáceos, da vegetação aquática e de insetos associados a esses ambientes.

Uma ave residente pode ser mais tolerante às condições ambientais extremas onde vive, pois tem a capacidade de se adaptar às mudanças, mudar a dieta de acordo com a disponibilidade de recurso, ou se alimentar do que estiver disponível durante um determinado período.

Área atingida pela seca. Foto: Tazziane Barreto

Porém, secando a fonte de recurso estas espécies terão muita dificuldade em se alimentar, reproduzir e sobreviver, sobretudo se a estiagem durar um longo período.

As aves migratórias setentrionais se reproduzem fora do Brasil, no hemisfério norte, mas passam um período de sua vida na América do Sul.

Chegando o inverno em seus países, elas emigram do Canadá, EUA e entram na América do Sul.

Das cinco rotas, de acordo com o Cemave, duas entram pela Amazônia:

  • Rota Amazônia Central/Pantanal – as principais chegadas são pelos rios Negro, Branco e Trombetas passando pela região de Manaus e Santarém, seguindo, respectivamente, pelo vale dos rios Madeira e Tapajós, até o Pantanal;
  • Rota Amazônia Ocidental – também conhecida como Rota Cisandina, penetra no Brasil pelos vales dos rios Japurá, Içá, Purus, Juruá e Guaporé, entrando a partir daí no Pantanal e indo até a Argentina e Terra do Fogo.

Nestas viagens as aves podem percorrer até 30 mil quilômetros em seus trajetos anuais de ida-e-volta.

É o caso dos maçaricos que se alimentam exclusivamente de invertebrados, os quais procuram nas margens de rios, lagos e áreas úmidas.

Eles emigram em busca de calor e de alimentação farta nas regiões tropicais.

Para percorrer longas distâncias, eles precisam acumular reserva energética suficiente para o trajeto, e isso dobra o peso da ave.

Durante o voo migratório, as aves se orientam pelas estrelas, à noite, e de dia, pelo sol, por marcos visuais seguindo topografia de rios, cadeias de montanhas e pelo campo magnético da terra.

Carão. Foto: Marilene Omena

Para melhor entender como as mudanças no clima podem afetar a vida das aves, é preciso entender que os impactos ambientais são alterações causadas no meio ambiente resultantes das atividades humanas ou de eventos naturais, como é o caso das mudanças climáticas.

Estas alterações podem influenciar negativamente sobre os ecossistemas, sobre a biodiversidade e a qualidade geral do ambiente onde as aves vivem.

Assim, podemos destacar alguns destes impactos negativos que de forma geral afeta a avifauna silvestre, tanto a residente quanta a migratória:

Escassez de alimento para aves ribeirinhas

Com a redução dos níveis de água nos rios, ocorrerá a redução na disponibilidade de peixes, de pequenos vertebrados, de insetos, de crustáceos e de plantas aquáticas, essenciais para a alimentação dessas aves.

Com o agravamento dessa condição, a competição por recursos alimentares nas margens dos rios e nas áreas úmidas tende a intensificar exercendo pressão adicional sobre as populações locais.

Alteração nos locais de alimentação

O ambiente físico onde as aves pastam, procuram alimento também é modificado. Uma vez que ambientes aquáticos específicos necessários para a reprodução delas são descaracterizados, eles inviabilizam a sobrevivência delas, que com o agravamento da condição climática extrema concorrerá para a redução das áreas de nidificação, impactando negativamente as taxas de reprodução, de sobrevivência podendo aumentar as taxas de predação, especialmente para aves que dependem de nidificar no oco de árvores mortas próximas à água.

Deslocamento e fuga

A falta de água nos rios pode levar as espécies de aves a irem, naturalmente, em busca de áreas propícias para alimentação e reprodução, e este deslocamento pode resultar em viagens de longa distância, aumentando a exposição e vulnerabilidade a predadores naturais, e a competição com outras espécies por alimentação.

Estresse térmico

Com a redução do nível das águas, a temperatura natural dela é alterada, é aumentada e o calor intenso sujeita as aves ao estresse térmico, que afeta o metabolismo, comportamento alimentar e a capacidade de regular a temperatura corporal.

Risco de doenças

Condições mais quentes e secas propiciam a propagação de doenças entre as aves, podendo comprometer a saúde de populações inteiras.

Muitas espécies de maçaricos são encontradas em pequenos ou em numerosos bandos às margens de rios, de praias e de lagos na Amazônia e são menos adaptados às bruscas ou severas mudanças ambientais nas regiões tropicais.

Socó-boi-baio. Foto: Tazziane Barreto

Por serem espécies que potencialmente percorrem longas distancias em voos, elas sentem muito mais os efeitos do clima alterado.

Assim, o outro desafio para estas aves é o da navegação aérea devido às alterações nos padrões meteorológicos, como ondas de calor e tempestades que representam riscos durante seus longos períodos de voo na rota migratória, que podem alterar e desviar de sua rota original, atrasar sua migração, aumentar o tempo de voo de migração e pode levar grupos de indivíduos a sucumbir a viagem devido às intempéries ao cansaço físico.

É difícil prever como evitar ou minimizar os danos causados pelas mudanças no clima e que afetam as aves ribeirinhas e aquáticas, tanto as residentes quanto as migratórias, todavia, qualquer ação nesta direção, necessariamente, requer uma abordagem abrangente e colaborativa com ações voltadas para a preservação de habitats naturais, à gestão sustentável dos recursos hídricos, manutenção de áreas protegidas, pelo monitoramento e pela pesquisa científica para entender as necessidades específicas das espécies envolvidas.

Há que se pensar também numa abordagem educativa, na criação de corredores ecológicos, manejo adaptativo para fazer frente às mudanças climáticas e cooperação internacional para abordar as questões transfronteiriças, uma vez que as aves não reconhecem fronteiras.

Reynier Omena Junior, biólogo, mestre em gestão de áreas protegidas na Amazonia.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.