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Os morcegos são sangue bom  

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A brincadeira do título inspirado numa sacada metafórica do estudioso Marcos Santos é, na verdade, uma humorada expressão de luta para desmistificar a percepção negativa que a maioria das pessoas tem sobre um dos seus principais aliados e coabitantes deste minúsculo planeta: os morcegos.

Bem recente, na mesma busca de aliados para desconstruir essa imagem, geradora de danos aos morcegos e aos humanos, está o projeto de Lei nº 159/2023, já votado e sancionado, de autoria da vereadora Professora Jackeline (UB), que insere no calendário oficial da cidade, o Festival dos Morcegos a ser realizado, anualmente, na segunda semana de outubro.

E não há receita melhor do que a cultura em suas múltiplas vias de expressão para uma comunicação popular eficaz, na superação da ignorância, do preconceito e do medo produzidos para lidar com os morcegos.

A importância desses animais para o equilíbrio do ecossistema, entre eles, o amazônico, é um dos aprendizados a ser conquistado; ampliar espaços e participações em eventos públicos é uma maneira de agregar valores envolvendo o mundo do morcego e suas contribuições ao mundo humano.

Os morcegos cumprem muito bem sua função social. Mamíferos, como nós, mas com as mãos transformadas em asas (chiro-mãos, pteros- asas, igual a quiropteros, a maioria das espécies), são crepusculares (noturnos) e dentre as mais de mil espécies registradas, apenas três se alimentam de sangue (hematófagos)

E dessas, apenas uma de sangue de mamíferos não humanos-cavalos e bois, por exemplo. Nas Américas, a grande maioria se alimenta de: frutas (frugívoros), insetos (insetívoros), néctar (nectavívoros/polinívoros) folhas (folinívoros), rãs (rânivóros) e peixes.

O voo do morcego tem um sistema sofisticado de ecolocalização com sons emitidos pela boca e focinho, numa frequência entre 20 a 215 KHZ (a frequência máxima que um humano pode ouvir está entre 02 e 20 KHZ).

Um movimento de um inseto pode ser ouvido numa distância de até cinco metros. Essas habilidades permitem aos morcegos realizarem caças noturnas de forma eficiente, entre elas a dos insetos que aos milhões viram alimentos.

Professora Jackeline, vereador da CM. Foto: Arquivo Pessoal

Certo que poderia se ter uma superpopulação de insetos não fosse essa dieta dos nossos morcegos. Ao dispersar sementes de frutas pela floresta, os morcegos contribuem com a conservação da mata nativa e com o reflorestamento e, por isso, já devemos agradecê-los, mesmo que não seja por agradecimentos que eles cumprem tão nobre função.

Os benefícios que esses vizinhos promovem não param na ajuda do equilíbrio dos ecossistemas globais diretamente ligadas ao meio ambiente, eles possuem em sua saliva substâncias anticoagulantes e que estão sendo observadas por cientistas médicos como ajuda para salvar vidas de pessoas com problemas cardiorrespiratórios.

Mesmo com habilidades sofisticadas e, diferente de nós, capacidade natural de voar, os morcegos preferem uma vida sem extremos, não gostam de frios polares e apreciam um clima tropical, com requintes da penumbra da luz de sótãos e porões, frestas de paredes, cavernas e grutas, ocos de árvores, nas suas copas e folhagens ou nas cachoeiras da floresta densa.

A Amazônia legal brasileira abriga a maior parte das espécies, 146, nove famílias e 64 gêneros. O Brasil sozinho abriga 15% de todos os morcegos do mundo. Ainda, 46% das espécies têm ocorrência na Amazônia. Mas, o inventário está em aberto e a lista pode subir de 146 para 160 espécies na região, segundo especialistas.

Os números mostram o tamanho da responsabilidade e o cuidado a ser aplicado na relação homem/morcego, aqui na região, aqui no Amazonas. O ICMbio, dá conta de que cinco espécies estão ameaçadas de extinção e nenhuma delas hematófogas. Com mais informações sobre eles, é possível que o preconceito dê lugar ao nobre sentimento da conservação dessas espécies.

O Festival do Morcego, realizado na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), área de importância para a Conservação dos Morcegos- Aicom-Sítio Bons Amigos-Zona rural, é um espaço para potencializar ações diversas, dos festejos, moda, à bioeconomia, todos interligados à educação e à cultura em ritmo de imersão para descobertas desses animais  de “sangue bom” e de boas histórias.

 

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